Chuchar no dedo ou na chupeta
Artigo da Médica Dentista:
Vânia Oliveira; LP: N.º 7635/OMD
Descubra quando este hábito pode começar a ser um problema
Embora bastante comum nos primeiros anos de vida, o uso prolongado de chupeta ou o hábito de chuchar no dedo pode causar alterações no crescimento dos maxilares, no posicionamento da língua e até mesmo no desenvolvimento da fala. Neste artigo explicamos-lhe quando e como intervir, e que tratamentos existem para corrigir as consequências destes hábitos.

Porque é que os bebés chucham no dedo ou na chupeta?
Quando é que o hábito se torna prejudicial?
A continuidade destes hábitos para além dos 2 anos de idade pode começar a interferir com o crescimento normal dos maxilares e o posicionamento dentário. Estes desequilíbrios podem afetar a fala, a mastigação, a respiração e até a estética facial da criança. Estudos demonstram que a força e frequência do hábito são mais relevantes do que a sua duração isolada. Mesmo que sejam apenas algumas horas por dia, se repetido todos os dias, pode exercer pressão suficiente para provocar alterações morfológicas. Nesse sentido, quanto mais cedo o hábito for interrompido, menor será o impacto.
Consequências mais frequentes destes hábitos orais
Entre os problemas mais comuns associados aos hábitos de sucção oral não nutritiva estão:
- Desenvolvimento de má oclusões dentárias como:
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Mordida aberta anterior, caracterizada por os dentes anteriores não se tocarem quando a criança fecha a boca, criando um espaço vertical entre eles.
- Mordida cruzada posterior,
quando os dentes superiores “encaixam” por dentro dos inferiores, geralmente devido a alterações no crescimento da arcada superior, frequentemente associada ao formato do palato estreito provocado pela sucção da chupeta ou do dedo.
- Aumento do overjet, que é projeção aumentada dos incisivos superiores em relação aos inferiores (dentes de cima muito à frente dos de baixo).
- Alterações no formato e crescimento do maxilar e da face
Condicionando uma arcada dentária deformada e possíveis desequilíbrios faciais.
- Problemas funcionais, como:
- Dificuldade na mastigação e deglutição
- Alterações na respiração, predominantemente o padrão de respiração oral, que pode trazer impacto no sono, na postura e até na fisionomia facial da criança.
- Distúrbios na fala, devido ao posicionamento incorreto da língua e dos dentes. Muito comum a dificuldade em pronunciar sons como “s”, “z” ou “t”.
- Maior probabilidade de no futuro virem a necessitar de tratamento ortodôntico
Como intervir? O papel dos pais e cuidadores
A abordagem deve ser gradual, empática e adaptada à idade e personalidade da criança. Repreensões diretas, ridicularizações ou castigos tendem a ser ineficazes. O processo pode demorar, mas a consistência e o apoio familiar fazem toda a diferença. Estas são algumas das estratégias a que poderá recorrer:
- Evite deixar a chupeta ao alcance da criança, tornando menos provável que ela lembre dela ou sinta vontade de usá-la;
- Progressivamente estabeleça regras e horários (ex. só usar a chupeta para adormecer);
- Reforço positivo: elogie os períodos sem uso da chupeta ou sem sucção digital;
- Substitua a chupeta por objetos alternativos de conforto como um peluche, mantinha ou brinquedo especial, especialmente na hora de dormir;
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Converse de forma amigável e carinhosa com a criança sobre o crescimento e o porquê de abandonar o hábito. - Alterações graduais na chupeta, fazendo um pequeno furo que progressivamente vai progressivamente aumentando fará a sensação de sucção perder o efeito, tornando a chupeta menos atraente, de modo que a própria criança perca o interesse.
- Evite comparar a criança com irmãos ou colegas que já deixaram o hábito. Cada criança tem o seu ritmo e pressionar pode gerar mais ansiedade.
- A troca ou doação simbólica também é uma estratégia eficaz utilizada por algumas famílias. Oferecer a chupeta à Fada, ao Pai Natal ou até mesmo a um bebé ajuda a criar um marco positivo relacionado com o fim do hábito.
- É extremamente importante que uma vez retirada, não seja devolvida em situações de choro ou birra. A consistência na decisão é fundamental para a criança perceba que não pode reverter a situação.
- Se o hábito persistir para além dos 2-3 anos de idade ou gerar sofrimento pode ser necessário recorrer ao apoio profissional, de um odontopediatra ou psicólogo infantil no sentido de orientar os pais.
O que é a Ortopedia Funcional dos Maxilares e como pode ajudar
A
Ortopedia Funcional dos Maxilares atua na correção precoce de desequilíbrios causados por hábitos orais como chuchar no dedo ou na chupeta. Utiliza aparelhos removíveis personalizados à criança, que promovem a reeducação da musculatura orofacial e a recuperação funcional das estruturas afetadas. Além de corrigir a posição dos dentes e maxilares, ajudam a restabelecer padrões corretos de respiração, deglutição e fala.
Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, mais eficazes e simples será o processo.
Quando é o momento certo para intervir?
Idealmente, o hábito deve ser eliminado entre os 2 e os 3 anos. Se persistir para além desta faixa etária é frequente que já existam consequência e nesse sentido deve procurar aconselhamento com um
odontopediatria ou especialista em ortopedia funcional. Um diagnóstico precoce permite tratar alterações ligeiras com aparelhos simples de Ortopedia Funcional dos Maxilares e reeducação comportamental, evitando tratamentos mais complexos no futuro.
Acompanhamento multidisciplinar: mais do que uma questão dentária
Em algumas situações, a intervenção pode requerer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo odontopediatras, terapeutas da fala e psicólogos infantis. Cada profissional atua sobre uma dimensão específica: estrutura dentária, função muscular, linguagem e comportamento. Este trabalho conjunto permite soluções integradas, com foco na origem do problema e não apenas nos sintomas.
FAQ's
Até que idade é aceitável o uso da chupeta?
O uso da chupeta é considerado aceitável até por volta dos 2 anos de idade. Nessa fase inicial, ela pode até ter um efeito calmante e ajuda a criança a autorregular-se. No entanto, após os 2 anos, especialmente se persistir depois dos 3 anos, o risco de problemas orofaciais, alterações na dentição e má formação do palato aumenta consideravelmente.
É pior chuchar no dedo ou na chupeta?
A sucção digital geralmente é mais difícil de controlar e eliminar, já que o dedo está sempre disponível para a criança, ao contrário da chupeta, que pode ser retirada pelos pais em situações específicas. Contudo, ambas as práticas, se prolongadas, podem ter consequência semelhantes no desenvolvimento orofacial.
Como sei se o meu filho já tem alterações orofaciais?
Deve ficar atento a sinais como mastigação ineficaz, dificuldade em falar corretamente, respiração predominantemente pela boca, dentes anteriores separados ou desalinhados e alterações no formato do palato (céu da boca). Estes sintomas podem indicar mudanças orofaciais decorrentes do uso prolongado da chupeta ou do hábito de chuchar o dedo.
Os aparelhos de ortopedia funcional dos são dolorosos?
Produzidos de forma personalizada para cada criança, os aparelhos de ortopedia funcional são desenvolvidos para serem confortáveis. A adaptação pode causar um leve desconforto inicial, mas não provocam dor significativa. A maioria das crianças adapta-se bem rapidamente e o desconforto tende a desaparecer em poucos dias.
Quanto tempo dura o tratamento de Ortopedia Funcional dos Maxilares?
A duração do tratamento varia conforme a complexidade das alterações apresentadas. Em média, pode durar de 6 meses a 2 anos, com necessidade de revisões regulares e periódicas para acompanhar a evolução e ajustar o tratamento.
Hábitos orais como chuchar no dedo ou na chupeta podem parecer inofensivos, mas têm impacto real no desenvolvimento da criança. Ignorar o problema é adiar uma correção que poderia ser simples. Na MALO CLINIC, encontra profissionais experientes em Odontopediatria e Ortopedia Funcional dos Maxilares, prontos para acompanhar o seu filho com rigor clínico e atenção personalizada. Agende a sua avaliação e garanta um futuro mais saudável e equilibrado para o seu filho.