Tártaro nos dentes pode causar mau hálito? 

Artigo do Higienista Oral:

Daniel Oliveira; LP: C-014343050/ACSS

Saiba o que é o tártaro, como se forma e de que modo pode afetar o hálito e a saúde oral.

exemplificação de uma placa dentária com blocos de tártaro
O mau hálito, clinicamente designado por halitose, é uma condição frequente que afeta uma parte significativa da população adulta. Embora muitas pessoas associem o problema a fatores digestivos ou ao consumo de determinados alimentos, a verdade é que, em mais de 80% dos casos, a origem do mau hálito está na cavidade oral. Entre as principais causas encontra-se o tártaro dentário, uma condição silenciosa, progressiva e muitas vezes subvalorizada, mas com impacto direto na saúde oral e na qualidade de vida.

Neste artigo explicamos, de forma clara e fundamentada, o que é, como se forma, porque pode causar mau hálito e quais as consequências para a saúde oral. Partilhamos ainda recomendações clínicas e respondemos às dúvidas mais frequentes sobre o tema.

O que é o tártaro dentário

Também conhecido como cálculo dentário, é o resultado da mineralização da placa bacteriana. A placa bacteriana é uma película incolor e pegajosa composta por bactérias, restos alimentares e saliva, que se forma constantemente sobre os dentes. Quando não é removida da através de uma escovagem eficaz e do uso do fio dentário, esta placa endurece devido à deposição de minerais presentes na saliva, transformando-se em tártaro.

Ao contrário da placa bacteriana, não pode ser eliminado com a higiene oral diária. A sua remoção exige intervenção profissional, através de uma destartarização realizada por um médico dentista ou higienista oral.

Existem dois tipos principais de tártaro: 

  • O tártaro supragengival, visível acima da linha da gengiva e que apresenta geralmente uma coloração amarelada ou acastanhada; 

  • O tártaro subgengival, mais difícil de detetar, forma-se abaixo da gengiva e está frequentemente associado a inflamação gengival e doença periodontal.
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Como se forma o tártaro

A formação é um processo contínuo e cumulativo. Estudos indicam que a placa bacteriana pode começar a mineralizar em apenas 24 a 72 horas após a sua formação, sobretudo em zonas de difícil acesso, como a face interna dos dentes inferiores, a face externa dos molares superiores e os espaços interdentários.

Fatores que aumentam o risco de formação de tártaro:


- Higiene oral inadequada;

- Escovagem irregular ou incorreta;

- Ausência limpeza interdentária, como o uso de fio dentário;

- Consumo frequente de alimentos açucarados;

- Tabagismo;

- Alterações na composição da saliva;
- Toma prolongada de determinados medicamentos


A predisposição individual também desempenha um papel relevante. Algumas pessoas apresentam maior tendência para acumular tártaro, mesmo mantendo bons hábitos de higiene oral, o que reforça a importância das consultas regulares de controlo, cumprindo a periodicidade recomendada pelo

higienista oral.

Porque é que o tártaro causa mau hálito

Esta é uma condição que está intimamente associada ao mau hálito porque funciona como um reservatório de bactérias. Estas bactérias, sobretudo as anaeróbias, produzem compostos sulfurados voláteis durante a decomposição de proteínas presentes nos restos alimentares e nas células descamadas da mucosa oral. São estes compostos que libertam o odor desagradável característico da halitose.

Além disso, a superfície rugosa facilita a adesão de mais placa bacteriana, perpetuando o ciclo de proliferação bacteriana. Quando o tártaro se acumula junto à gengiva, favorece o desenvolvimento de gengivite e em casos mais graves de periodontite, condições inflamatórias que agravam significativamente o mau hálito.

De acordo com a literatura científica, a presença de doença periodontal é uma das principais causas de halitose crónica, sendo o tártaro um fator determinante no seu desenvolvimento e progressão.

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Impacto do tártaro na saúde oral

Para além do mau hálito, existem outras consequências relevantes para a saúde oral. A sua presença contínua provoca inflamação das gengivas, caracterizada por vermelhidão, inchaço e sangramento durante a escovagem. Esta fase inicial, designada por gengivite, é reversível se tratada atempadamente.

Quando não tratada, a gengivite pode evoluir para periodontite, uma doença crónica que afeta os tecidos de suporte dos dentes, incluindo o osso. Nesta fase, podem surgir retração gengival, mobilidade dentária e, em casos mais avançados, perda dentária precoce.

Estudos demonstram ainda uma associação entre a doença periodontal e determinadas condições sistémicas, como doenças cardiovasculares e diabetes, reforçando a importância de uma abordagem preventiva e integrada da saúde oral.

Como melhorar o tártaro e melhorar o hálito

A única forma eficaz de remover é através de uma destartarização profissional. Este procedimento, realizado em ambiente clínico, permite eliminar os depósitos de tártaro supragengival e subgengival, alisando a superfície dentária e dificultando a nova adesão de placa bacteriana.

Após a destartarização, muitos pacientes relatam uma melhoria imediata do hálito, bem como uma sensação de limpeza e frescura oral. Em casos de doença periodontal, pode ser necessário um tratamento mais aprofundado, como o alisamento radicular ou outras terapias específicas.

A manutenção dos resultados depende de uma higiene oral rigorosa em casa. A escovagem deve ser realizada pelo menos duas vezes por dia, com uma técnica adequada e uma pasta de dentes fluoretado. O uso diário de fio dentário ou escovilhões interdentários é fundamental para remover a placa bacteriana nas zonas onde a escova não alcança.

Em alguns casos, o higienista oral pode recomendar colutórios específicos como complemento, mas nunca como substituto da higiene oral mecânica.

Curiosidades

Estudos mostram que a composição do tártaro pode variar consoante a dieta, hábitos de higiene e microbiota oral de cada indivíduo. Curiosamente, preserva vestígios biológicos durante longos períodos, sendo inclusivamente utilizado em investigação arqueológica para estudar a alimentação e doenças de populações antigas.

Outro dado relevante é que a halitose de origem oral tende a ser mais intensa ao acordar, devido à diminuição do fluxo salivar durante o sono, o que favorece a atividade bacteriana sobre o tártaro e a placa acumulada.

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FAQs 

O tártaro causa sempre mau hálito?

Nem sempre, mas a sua presença aumenta significativamente o risco de halitose, sobretudo quando associada a inflamação gengival ou doença periodontal.

É possível remover o tártaro em casa?

Não. O tártaro depois dentes só pode ser removido com instrumentos profissionais, em consulta dentária.

Com que frequência devo fazer uma destartarização?

Em geral, recomenda-se uma destartarização de seis em seis meses, mas a frequência deve ser adaptada a cada caso, de acordo com a avaliação clínica pelo profissional de saúde.

O tártaro pode voltar após o tratamento?

Sim. O tártaro pode voltar a formar-se se a acumulação de placa bacteriana não for controlada. Por isso, a higiene oral diária e as consultas regulares são essenciais.

Pastilhas ou sprays eliminam o mau hálito causado pelo tártaro?

Não. Estes produtos apenas mascaram o odor temporariamente e não tratam a causa. A eliminação do tártaro é fundamental para resolver o problema de forma eficaz.

O tártaro dentário é uma das principais causas de mau hálito de origem oral e um fator determinante no desenvolvimento de doenças gengivais e periodontais. A sua formação é silenciosa, mas os seus efeitos podem ser significativos, tanto ao nível da saúde oral como do bem-estar geral.

A prevenção passa por uma higiene oral adequada, consultas regulares e uma abordagem personalizada, baseada na avaliação clínica. Investir na remoção do tártaro não é apenas uma questão estética ou de conforto, mas um passo essencial para manter um sorriso saudável, funcional e confiante.

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