O que é a inflamação gengival?
A inflamação gengival é um dos problemas orais mais frequentes entre adultos, sendo muitas vezes subestimada. Em Portugal, estudos epidemiológicos apontam que mais de metade da população apresenta algum grau de inflamação gengival ao longo da vida, resultado de hábitos de higiene oral pouco eficientes, alterações hormonais, estilo de vida ou até predisposição genética.
A gengiva inflamada, também conhecida como gengivite, surge normalmente como uma resposta do organismo à acumulação de placa bacteriana. Embora seja comum, esta condição merece atenção, porque, quando ignorada, pode evoluir para periodontite, uma doença mais grave que afeta o osso e os tecidos de suporte dos dentes, e que representa uma das principais causas da perda prematura de dentes.
Como identificar gengiva saudável vs. gengiva inflamada
A gengiva saudável regra geral apresenta uma cor “rosa-pálido” e uma textura firme. Quando surge inflamação, estes tecidos tornam-se mais sensíveis, vermelhos e sangram com facilidade, especialmente durante a escovagem. Este é um sinal de alerta que não deve ser ignorado. Sangrar ao escovar não é um indicador de força excessiva durante a escovagem, mas sim o primeiro sintoma de inflamação.
Principais causas da gengiva inflamada
As principais causas incluem a acumulação de placa bacteriana, que se transforma em tártaro quando não removida adequadamente. A placa integra bactérias que libertam toxinas, irritando as gengivas.
Fatores como alterações hormonais, incluindo gravidez e adolescência, podem intensificar esta resposta inflamatória. Certos medicamentos, como alguns anti hipertensores, também podem contribuir para a inflamação gengival, tal como o tabaco.
É importante salientar que a gengivite pode manifestar-se de forma diferente em fumadores, apresentando menos sangramento, apesar de maior inflamação. Isto acontece porque o tabaco reduz o fluxo sanguíneo, camuflando sintomas visíveis e dificultando a perceção do problema.
Algumas doenças sistémicas, como por exemplo a diabetes influenciam diretamente a saúde gengival. Pacientes com diabetes mal controlada têm maior probabilidade de desenvolver inflamação gengival devido à redução da capacidade de cicatrização.
Sintomas mais frequentes
A inflamação gengival tem sinais típicos que ajudam a identificá-la de forma precoce:
Vermelhidão
Sensibilidade
Mau hálito persistente
Sangramento ao escovar
Curiosamente, a inflamação gengival raramente causa dor intensa, o que pode levar à sua desvalorização. No entanto, apesar da aparência simples, está associada a mecanismos biológicos complexos. A resposta inflamatória é, na verdade, uma tentativa do sistema imunitário de controlar a proliferação bacteriana. Estudos científicos indicam que cerca de 30% da população apresenta uma maior predisposição genética para desenvolver problemas periodontais, mesmo mantendo bons hábitos de higiene oral.
Quando procurar o higienista oral ou médico dentista?
A resposta é simples: ao sinal mais discreto de gengiva inflamada.
A avaliação clínica permite identificar o grau da inflamação e iniciar o tratamento adequado. Um higienista oral poderá realizar uma destartarização profissional e orientar o paciente sobre as técnicas de higiene oral mais adequadas. Caso a inflamação esteja mais avançada, poderá ser necessária uma abordagem mais profunda, como um tratamento periodontal. Ignorar os sintomas aumenta o risco de evolução para periodontite, cuja consequência mais grave é a perda dentária.
Como prevenir a inflamação gengival
A prevenção continua a ser a melhor estratégia. Escovar os dentes duas vezes por dia, utilizar fio dentário ou outro método de limpeza interdentária e efetuar visitas regulares ao Higienista/Dentista reduz drasticamente o risco de inflamação gengival. Evidências clínicas demonstram que uma boa higiene oral reduz a presença de bactérias patogénicas responsáveis pela inflamação.

