Dor de dentes que vai e volta: é normal?
Saiba o que pode estar na origem da dor de dentes e em que situações deve procurar um profissional de saúde oral
A dor de dentes é um dos principais motivos que levam os pacientes a procurar cuidados de saúde oral. Quando surge de forma persistente, tende a motivar uma consulta imediata, no entanto, quando aparece e desaparece - a chamada dor intermitente, os pacientes tendem a desvalorizar o problema.
Apesar de parecer menos preocupante, a dor de dentes que vai e volta não deve ser ignorada. Na maioria dos casos, é um sinal de alerta e a dor de dentes pode agravar-se se não for diagnosticada atempadamente
Neste artigo explicamos as principais causas, quando deve procurar ajuda médica e de que forma a prevenção pode evitar tratamentos mais invasivos.
Dor de dentes intermitente: o que significa?
A dor de dentes intermitente ocorre quando existe um estímulo que desencadeia dor ou desconforto - como frio, calor ou pressão, mas que desaparece após alguns segundos.
Este padrão pode ser indicativo de uma fase inicial de um problema dentário que, em muitos casos, pode ser reversível ou tratado de forma minimamente invasiva. Contudo, sem um diagnóstico e uma intervenção precoce, existe uma elevada probabilidade de evolução para problemas mais complexos.
Quais são as causas mais comuns da dor de dentes?
A dor de dentes pode ter múltiplas causas, desde alterações simples até situações mais complexas. Identificar a causa é essencial para definir o tratamento adequado.
Sensibilidade dentária
A sensibilidade dentária é definida como uma dor aguda, breve e bem localizada, desencadeada por estímulos externos.
Os estímulos mais frequentemente associados incluem:
Alimentos e bebidas frias ou quentes;
Alimentos doces ou ácidos;
Escovagem dentária;
Contacto tátil com instrumentos dentários;
Exposição ao ar frio
A sensibilidade dentária ocorre quando a dentina (camada intermédia do dente), fica exposta. A exposição da dentina pode ser causada por desgaste do esmalte (camada externa do dente) ou retração das gengivas. Embora a sensibilidade dentária seja frequentemente benigna, pode afetar a qualidade de vida e exigir um tratamento específico.
Cárie dentária numa fase inicial
A cárie dentária não tratada é, atualmente, a condição de saúde mais prevalente a nível mundial, afetando milhares de milhões de pessoas. Uma das razões para a sua elevada prevalência é o facto de poder permanecer assintomática ou manifestar apenas sinais discretos nos seus estadios iniciais, o que frequentemente atrasa o diagnóstico e consequente tratamento.
Os primeiros sinais surgem, frequentemente, sob a forma de sensibilidade dentária pontual, sobretudo ao frio e/ou aos alimentos doces. Nesta fase, a intervenção é, geralmente, simples e conservadora. No entanto, sem um diagnóstico e intervenção precoce, a cárie progride para camadas mais profundas do dente.
Inflamação da polpa dentária
Quando a cárie progride, pode atingir o nervo do dente - denominada de polpa, provocando episódios de dor de dentes mais intensos e intermitentes. Com o tempo, esta dor tende a tornar-se contínua e latejante, podendo evoluir para uma infeção quando não tratada atempadamente.
Problemas gengivais
Inflamações gengivais podem causar desconforto localizado que varia ao longo do tempo. Nestes casos, a dor pode não ser constante, mas está associada a um processo inflamatório que deve ser acompanhado pelo profissional de saúde oral.
Bruxismo ou sobrecarga
O hábito de ranger ou apertar os dentes pode causar dor muscular e dentária que aparece sobretudo em determinados momentos do dia, como por exemplo ao acordar.
A tensão excessiva sobre os dentes pode provocar um desgaste gradual do esmalte, especialmente junto à gengiva - denominada de colo do dente.
Quando isso acontece, a dentina (camada intermédia do dente) fica mais exposta e torna-se mais sensível aos estímulos do dia a dia.
Fissuras ou fraturas dentárias
Pequenas fissuras no dente ou até mesmo na sua raiz podem provocar dor ocasional ao mastigar, muitas vezes difícil ou até impossível de identificar sem avaliação clínica e recurso a exames radiográficos.

Dor que vai e volta: quando deve preocupar-se?
Qualquer dor de dentes recorrente, mesmo que intermitente, deve ser avaliada clinicamente. É especialmente importante procurar ajuda de um profissional de saúde oral quando:
A dor aumenta de intensidade;
Passa de intermitente a constante;
Surge espontaneamente;
Está associada a inchaço ou sensibilidade ao toque.
A importância do diagnóstico precoce
Muitos problemas dentários evoluem de forma silenciosa. A dor intermitente é frequentemente um dos primeiros sinais de alerta, surgindo antes de sintomas mais graves. A grande vantagem de identificar a causa da dor de dentes o mais cedo possível está na possibilidade de realizar tratamentos menos invasivos e mais conservadores.
Para melhor compreensão da relevância do diagnóstico precoce, considerem-se as seguintes situações clínicas:
Situação 1: Uma cárie diagnosticada atempadamente pode ser resolvida através de uma restauração simples e minimamente invasiva, evitando a necessidade de uma desvitalização - um tratamento, inevitavelmente, mais complexo, invasivo e dispendioso.
Situação 2: Uma inflamação gengival ligeira pode ser facilmente controlada com uma consulta de higiene oral, evitando a progressão para uma periodontite, uma condição caracterizada pela perda de suporte ósseo e dos tecidos gengivais, que poderá, em fases mais avançadas, comprometer a estabilidade e a longevidade do dente.
O papel da prevenção
A prevenção constitui um dos pilares fundamentais da medicina dentária atual.
O acompanhamento clínico regular permite identificar alterações numa fase precoce, antes de estas evoluírem para situações mais complexas. Muitas das condições responsáveis por dor, desconforto e tratamentos mais invasivos poderiam ser prevenidas ou abordadas atempadamente através de um acompanhamento clínico adequado.
Cuidados essenciais para a promoção de uma boa saúde oral:
A adoção de uma rotina de higiene oral completa e ajustada às necessidades individuais;
A realização de consultas periódicas de higiene oral, no mínimo de 6 em 6 meses;
Hidratação adequada às necessidades do organismo, aliada a uma alimentação variada e equilibrada.
E se não for possível preservar o dente?
Embora a medicina dentária disponha atualmente de soluções cada vez mais eficazes, existem casos em que a preservação do dente não é possível.
Nesses casos, a reabilitação oral permite devolver a função e a estética do sorriso. Os implantes dentários são atualmente a solução mais próxima dos dentes naturais, permitindo substituir dentes perdidos de forma estável e duradoura, seja na substituição de um único dente ou de vários através de pontes ou próteses suportadas por implantes.














