Saiba o que pode causar as manchas nos dentes
As alterações da coloração dentária são uma das queixas estéticas mais frequentes em medicina dentária. A presença de manchas nos dentes pode afetar significativamente a confiança e a autoestima de um paciente. A chave está em saber distingui-las e identificar a sua origem, de modo a definir não só o prognóstico, mas todo o plano terapêutico.
Neste artigo, exploramos estas condições, as suas causas e, quando possível, estratégias para preveni-las, bem como os tratamentos disponíveis para as corrigir ou atenuar.
O que são manchas nos dentes e o que é a fluorose dentária?
As manchas nos dentes podem ter origens variadas: desde fatores externos (comummente designados extrínsecos), como o consumo de alimentos e/ou bebidas pigmentantes ou, por outro lado, fatores associados à formação do dente (comummente designados intrínsecos), como é o caso da fluorose dentária.
Esta condição resulta da exposição excessiva ao flúor durante a fase de formação dos dentes permanentes, ou seja, antes da sua erupção. A exposição em excesso a este elemento interfere com a formação do esmalte dos dentes definitivos, podendo não só causar alterações na cor, como também na estrutura dentária.
As manifestações da fluorose podem variar entre pequenas linhas esbranquiçadas até manchas acastanhadas e porosas, que afetam a estética e, em casos mais severos, a resistência dos dentes.
Causas das manchas nos dentes
Fluorose dentária
A fluorose dentária, ou manchas nos dentes devido a fatores intrínsecos, está associada à ingestão excessiva de flúor na infância, nomeadamente durante os anos de formação dos dentes permanentes. Acredita-se que o período crítico para superexposição ao flúor, que poderá culminar em alterações estéticas, ocorre entre 1 e 4 anos, e que somente a partir dos 8 anos o risco de desenvolver fluorose dentária esteja ultrapassado.
Globalmente, as causas mais comuns para esta condição incluem:
Água fluoretada - principal fator de fluorose dentária, seja por consumo direto ou na sua utilização em alimentos/leites reconstituídos;
Pastas dentífricas fluoretadas – Estima-se que 30% dos casos de fluorose se devem à ingestão acidental de dentífrico durante a escovagem dentária, por crianças até aos 5 anos;
Suplementos/Comprimidos de flúor - embora indicados em áreas deficitárias, elevam significativamente o risco de fluorose, sobretudo quando combinados com o consumo de água fluoretada (risco quadruplicado);
Elixires - a utilização de elixires não supervisionados em crianças menores de 6 anos também poderá contribuir para a fluorose dentária, ainda que com menor gravidade comparativamente aos dentífricos.
Outras causas de manchas nos dentes
Nem todas as manchas dentárias são resultado da fluorose. Existem outras origens comuns:
Consumo frequente de bebidas pigmentantes, como café, chá, vinho tinto e refrigerantes;
Hábito tabágico, que provoca o aparecimento de pigmentação escura nas superfícies dentárias;
Má higiene oral, que favorece a formação de placa bacteriana e tártaro que potenciam a adesão de pigmento;
Alguns géis, dentífricos e colutórios;
Historial de toma de certas famílias de antibióticos, como as tetraciclinas, durante o desenvolvimento dentário;
Traumas ou infeções dentárias.
Como evitar as manchas nos dentes?
A prevenção da fluorose e de outras manchas nos dentes envolve uma vigilância cuidada e boas práticas desde a infância.
Dicas práticas:
Supervisionar o uso de pastas com flúor em crianças até aos 6 anos — para as crianças até aos dois anos, “sujar” a ponta da escova de dentes, 3-5 anos, a pasta dentifrícia deverá equivalente ao tamanho de um bago de arroz. A partir dos seis anos, a quantidade de dentífrico a utilizar deverá ser do tamanho de uma ervilha.
Evitar que as crianças engulam a pasta dentífrica;
Informar-se sobre os níveis de flúor na água potável da sua região (em Portugal, geralmente estão dentro dos limites seguros);
Evitar suplementos de flúor, exceto por indicação médica;
Promover uma alimentação pobre em açúcares e agentes pigmentantes;
Manter consultas regulares de medicina dentária desde a infância.
Tratamentos para manchas nos dentes e fluorose dentária
O tratamento dependerá da origem, extensão e profundidade das manchas nos dentes. Um diagnóstico clínico adequado é essencial para definir a abordagem mais eficaz. Algumas opções podem incluir:
Polimento profilático profissional – para manchas superficiais causadas por pigmentos alimentares ou tabaco;
Branqueamento dentário sob supervisão médica – pode uniformizar a coloração dos dentes, mesmo em casos de manifestação ligeira de fluorose dentária;
Microabrasão do esmalte – técnica minimamente invasiva que remove a fina camada de esmalte manchado, recomendada para fluorose ligeira;
Utilização de resinas infiltrativas - materiais fluídos de baixa viscosidade que penetram no esmalte e mascaram manchas intrínsecas leves;
Facetas dentárias em cerâmica ou resina composta – ideais para corrigir alterações de cor ou forma;
Coroas dentárias – utilizadas em casos severos onde associada à fluorose dentária se verifica fragilidade estrutural do dente.
A importância da avaliação clínica
Nem todas as manchas nos dentes precisam de tratamento imediato. A avaliação por um profissional de saúde oral experiente permite distinguir entre alterações estéticas inofensivas e condições mais complexas que exigem intervenção.
A MALO CLINIC dispõe de uma equipa multidisciplinar e experiente, capaz de oferecer diagnóstico personalizado e soluções de elevada previsibilidade clínica, com foco na recuperação da saúde oral, função e estética.
Sabia que...?
A Organização Mundial da Saúde recomenda que os níveis de flúor na água potável não ultrapassem 1.5 mg/L. Em Portugal, poderão existir traços residuais de flúor na água devido a processos naturais e ao seu tratamento;
Os valores de flúor na água são frequentemente controlados para que se encontrem nos limites regulamentados;
A fluorose dentária surge nos dentes permanentes durante a formação, por exposição excessiva a flúor;
O flúor é um aliado da saúde oral quando usado corretamente, pois fortalece o esmalte e reduz o risco de cárie dentária.





